terça-feira, 24 de abril de 2012

21 de abril: Uma data...Três fatos históricos...Três mártires da liberdade

Maria Lígia Madureira Pina

Um país... um estado...uma data e três personalidades fortes, brilhantes.
O dia 21 de abril marca em nosso Brasil a passagem da execução do Alferes Joaquim José da Silva Xavier – o Tiradentes, a inauguração da cidade de Brasília e o falecimento do Presidente Tancredo Neves, após uma agonia que sacudiu emocionalmente o país, em todos os seus diâmetros.
Tiradentes, Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves, três mineiros da região histórica das Minas Gerais: Juscelino da cidade de Diamantina, Antigo Arraial do Tejuco, onde, segundo a lenda, as pedras de jogo de xadrez eram daquela pedra preciosa. Os outros dois de São João D’El Rei, de onde foi retirado o município hoje chamado de Tiradentes. Tiradentes pagou com a vida o anseio de querer a pátria livre da tirania portuguesa. Juscelino pagou com o exílio o arrojo de construir no coração do Brasil, Brasília, a nova capital que iria elevar o nome do país e da arquitetura brasileira no conceito das grandes nações. Taxado de subversivo e corrupto peregrinou pela Europa até conseguir voltar à sua terra. Foi vitima de um acidente de automóvel, até hoje inexplicável. Tancredo Neves, o Pai da Democracia, o autor da Nova República, vítima da ciência que, em tentando salva-lo levou-o a uma morte lenta e dolorosa que os brasileiros jamais esquecerão.
Vale a pena rememorar os fatos:

Tiradentes
1748 - 21.04.1792
21 de abril de 1792: a Praça da Lampadosa no Rio de janeiro estava apinhada. A multidão ali reunida iria assistir à execução do mártir da Liberdade. Com baraço e pregão, como mandava o Decreto Real, Tiradentes chega ao local da execução. Sobe serenamente os degraus do patíbulo e pede ao carrasco que seja rápido. Os tambores rufam e o corpo do mártir jaz pendurado na ignominiosa forca. Não teve direito ao sepultamento. O brutal Decreto da rainha louca mandava que “o traidor fosse esquartejado e a cabeça fosse colocada em alto poste em Vila Rica e o corpo mutilado, distribuído pelos locais onde pregara o ideal de liberdade. “De todos os inconfidentes, só ele pagou com a vida o ideal de independência. Morreu humilhado, vilipendiado, como o próprio Cristo. Mas o seu ideal de liberdade atravessou os séculos e o seu nome (apesar de decretado infame até a quarta geração) imortalizou-se no Panteon da História. A chama da liberdade acesa em 1789, em Vila Rica permaneceu no coração do povo brasileiro, ressurgindo sempre (porque tiranos não faltam) das próprias cinzas, como a lendária Fênix, iluminando a Pátria.

Juscelino K. de Oliveira
12.09.1902-22.08.1976
21 de abril de 1960: No Planalto Central ergue-se  bela, soberana, a Novacap, fruto da audácia de um homem - Juscelino Kubtischeck e de dois arquitetos: Lucio Costa e Oscar Niemeyer. Brasília está apinhada. Personalidades de todos os estados brasileiros e de várias partes do mundo compareceram à inauguração. Discursos fogos, brilhantismo, elogios... estava inaugurada a Nova Capital: a cidade do sonho profético de Dom Bosco. Cidade moderna, com uma arquitetura arrojada, nunca dantes vista em todo o mundo, embora a historiadora Iara Kern lhe descubra grandes semelhanças com a Heliópolis dos egípcios, mandada construir pelo faraó poeta e místico, Aknaton.

BRASÍLIA

Juscelino Kubistchek de Oliveira
Oscar Niemeyer
Lucio Costa
Candango Edificador
O Brasil de pé
Cabeça descoberta
Vos saúda
Porque lhe cobriste o nome de glória
Por isto tereis o vosso nome
Perpetuado na história
Com a mesma argamassa
Com que erguestes
Nova capital.
Nada mais importa...
Nada haverá que o vosso brilho
Ofusque
Porque erguestes no coração
Do Brasil
Brasília,
O novo coração do mundo.


Tancredo Neves
04.03.1910-21.04.1985
21 de abril de 1985: Comoção Nacional. Ao invés da festa de posse do Presidente Tancredo Neves, tivemos dor, angústia, desespero. O povo brasileiro está de luto. Após um mês de lágrimas, o povo unido de mãos dadas em orações, nas casas, igrejas, em frente aos hospitais onde ele esteve internado. As preces não foram ouvidas. O porta-voz do Governo, jornalista Antônio Brito, com a voz emocionada anuncia que o caso clínico do presidente é irreversível. Os sistemas vitais entraram em colapso. E logo mais, às 22:30 horas o povo brasileiro recebeu a notícia que jamais queria ouvir: o presidente Tancredo Neves faleceu. Brasília está mais uma vez apinhada. A multidão chorando e aclamando o Presidente morto na sua última jornada pelos três Estados por onde o cortejo fúnebre passou. Enfim, em São João D’El Rei, sob um belíssimo por de sol rosa dourado, abraçando as silhuetas das montanhas, foi sepultado o grande estadista. O pai da Nova Democracia Brasileira, o novo Patriarca da Nação.


CREPÚSCULO EM SÃO JOÃO DEL REI


             São João Del Rei...
             O sol em agonia
             por trás da crista
             dos montes
             envolve a cidade
             em manto de ouro
             e púrpura
             como a enxugar-lhe
             o dolorido pranto.

São João Del Rei...
O sol agoniza.
Em agonia, a cidade
chora,
pranteia a morte
do filho
martirizado.

            São João Del Rei
            O sol e a cidade
            Em agonia...
            E as trevas descem
            cobrindo-a
            com o manto
            de luto
            e dor.

São João Del Rei...
Chora...
Estremece
a paisagem dos montes
e das igrejas
multisseculares.
O seio da Mãe Terra
se abre
e recebe
sob o toque do silêncio
o corpo do filho muito amado:
Tancredo Neves
O pai da nova democracia
brasileira
o novo Patriarca da Nação.
              XXX