quarta-feira, 4 de julho de 2018

Falando dos outros...e bem!

“FALANDO DOS OUTROS e de outras coisas“ – O título do último livro do escritor, poeta e acadêmico Estácio Bahia Guimarães nos remete à lembrança das comadres que vivem falando dos outros. Mas, como é bom ter entre as páginas desse livro a lembrança de grandes vultos queridos, sejam os vivos festejados, biografados, prefaciados, ou saudados após falecidos. As crônicas estão alinhavadas pelo fio poético e emana sutilmente na escrita de Estácio Guimarães. 

Quando ele fala dos outros, e das coisas escolhe nomes conhecidos da sociedade sergipana, fatos da cidade e eventos importantes. Tudo chega até nós, pela lembrança e reverência do autor: foram captadas das folhas do Jornal da Cidade a partir de 2000, portanto lá se vão 17 anos. Bem pensado, recolheu-as em um livro de 304 páginas. Só faltou deixar as datas respectivas, pois ajudaria muitos aos pesquisadores identificar os fatos e ações.

Fiquei muito feliz e muito orgulhosa quando ele, abrindo o livro, depois apenas do nome de sua sogra querida, sua mãe querida, coloca o da querida Maria Lígia Madureira Pina. Ele escreveu quando nomeado pela Academia Sergipana de Letras para preparar o necrológico da acadêmica falecida naquele ano de 2014. Estácio fez um belo traçado do perfil, da vida profissional, do talento e da pessoa que Lígia era como colega de academia e depois sua amiga, e dou o meu testemunho, de que a reciproca era verdadeira. Seguem as três mulheres citadas, um rol de dezoito nomes, cada um deles, com um potencial a ser destacado. E não é feito de forma aleatória – está tudo respaldado no trabalho de cada um, pelo carisma ou brilho próprio. A sensibilidade de Estácio é sentida quando ele se expressa de forma simples, dando a cada personagem um estilo de narração. Ele é uma pessoa religiosa, frequentador junto com a família da missa dominical, devoto de Nossa Senhora da Conceição, e assim sendo, sempre encontra um gancho para lembrar a presença de Deus, a Virgem Maria, Jesus Cristo, os céus...  Talvez, por tudo isso, seja uma pessoa que se sente bem em fazer o bem - com palavras e atos. Sempre colocando todos pra cima, levantando o astral dos menos entusiasmados com a vida. Cronista e poeta por excelência, já publicou Respingos, Tecidos de arco-íris, Cinco Talentos da Arte e mais dois na área do Direito: Justiça do Trabalho e Evolução histórica no Brasil e em Sergipe. Tem outros prontos esperando publicação. 

Quer conhecer um pouco do Estácio? Leia com atenção o prefácio escrito por Samuel Albuquerque, presidente do IHGS e membro da Academia de Letras de Aracaju e a “A casa do meu avô”, pagina 124. Não é qualquer um que lembra detalhes e fala dos avós e da casa deles dessa maneira. “Viva João Ubaldo Ribeiro e viva o povo brasileiro” gostei tanto que publiquei no nosso blog da Academia Literária de Vida. “Ao Correr da Pena de Avany Torres”, analisando as poesias da autora, ele escreve outra poesia. Um homem que entende a sensibilidade da mulher e a canta com glória. Destaco ainda “Dois exemplos de Solidariedade“, é leitura para reflexão, colhidos no ida a dia do autor. Em “Considerações sobre o Idoso” faz análise e crítica ao mesmo tempo. “Águas Passadas...” me emociona. Quase todos seus colegas da Academia Sergipana de Letras são homenageados de forma fidalga, emotiva. São momentos importantes para o citado, seja pela posse na Academia, por lançamento de livros, passado político, feito histórico etc. Estácio Guimarães sente prazer nessa lida. Busca o melhor das pessoas e as coloca em evidência. Não faz medo ser escolhido e “falado” desta forma. Acredito que todos estão satisfeito e felizes. Parabéns amigo. Foi um prazer reler seus escritos.

Shirley Rocha
Novembro 2017.

P/S  Leia "Necrológio de Maria Lígia Madureira Pina" e "Viva João Ubaldo Ribeiro e viva o povo brasileiro" - na seção Opiniões neste blog.