NOSSA HOMENAGEM AOS
PROFESSORES DO BRASIL!
Cléa Maria Brandão
Eu ensinei na escola
secundária por 25 anos.
Durante aquele tempo eu
passava tarefas e ditava normas. Tinha diante de mim, entre outros alunos, políticos,
drogados, sacerdotes, professores, missionários, cientistas, juristas,
militares, comerciantes, artistas, e alguns tipos indefinidos.
Os
Políticos, logo se distinguiam: loquazes, discursivos, inteligentes,
combativos. Lideravam quaisquer movimentos eleitorais na escola. Eram os
presidentes do Grêmio. Monopolizavam as discussões nas aulas. Hoje são
Bacharéis em Direito e ocupam cargos eletivos nas Câmaras Públicas.
Os
Drogados – sem consciência da própria situação eram tardos em compreender o
que lhes era ensinado. Sentavam-se sempre nos fundos das salas procurando
sombras. Escreviam poesias de protesto, visto que o mundo estava contra eles.
Muito carinhosos, e ainda hoje quando os encontro é uma alegria. São pais de família
preocupados com a questão do tráfico de drogas nas escolas.
Os
Sacerdotes- circunspectos, sempre discutindo teologia com a professora
evangélica. Aparentavam amadurecimento e se preocupavam com os colegas “excluídos”.
Espero vê-los sagrados de Bispos e Cardeais.
Os
Professores-logo eram monitores e auxiliares. Quando os
encontros agradecem à professora pela influência
exercida na escolha da profissão. Estão hoje entre desiludidos, conformados e
por vezes, entusiasmados. Os
Missionários- portavam sempre uma Bíblia. Eram os mais populares e
lideravam os jogos estudantis. Sonhavam ser missionários junto a grupos étnicos
distantes. Alguns conseguiram.
Os
Cientistas – estão em todos os hospitais e consultórios como médicos, odontólogos,
enfermeiros, etc. Acudiam os acidentados no recreio. A Ciência era seus sonhos.
É confortante encontra-los nas ocasiões oportunas.
Os
Juristas -sempre consultando o regimento escolar para defender seus
direitos. Eram os da lei. Exigiam as melhores notas para si mesmos. Estão aí
cumprindo esse mesmo papel. É uma honra encontra-los de terno e gravata nos
Fóruns.
Os
Militares- disciplinados, não apreciavam a “cola”. Corretos, impediam os
embates dos desafetos. Protegiam-me.
Os Comerciantes- tipos característicos. Eram capazes
de vender o lanche. Implicavam com os preços na cantina. Não dados aos estudos
e ao cumprimento de tarefas. É gratificante encontra-los bem sucedidos nos
negócios, inclusive como feirantes no mercado central. Fazem questão de
apresentar aos companheiros a sua professora.
Os Artistas- inquietos, simpáticos, quase sempre
filósofos. Poetas, cantores, instrumentalistas. Faltavam às aulas com boas
desculpas: peças de teatro a ensaiar, músicas a vocalizar, instrumentos a
afinar, etc...Muito alegres. Continuam artistas e felizes.
Os Tipos Indefinidos- surpreendentes, aqueles que fugiam
a qualquer previsão. Há alguns que até ocupam altas posições, inclusive na
diplomacia internacional.
Ah! Havia os presidiários
que assistiam aulas vigiados por guardas, postados no pátio da escola. Nem cheguei
a identifica-los. Eram tão bem humorados e ávidos em aprender. Voltaram à
cadeia e não sei mais deles. Apresentavam excelente comportamento nas aulas.
Todos esses alunos
estiveram um dia diante de mim, sentados em suas carteiras. E entre
interessados e debochados, testavam a minha sapiência e a minha paciência.
E foram tantos...por 25
anos. Eu creio tê-los ajudado...
Discutíamos as
influências da Revolução Francesa na História. Mas o que realmente eu gostaria
é ter a certeza de ter-lhes inculcado na mente o verdadeiro significado das
palavras: Liberdade-Igualdade-Fraternidade.
Dirijo-me agora à mesa, e
a esta querida assistência onde vejo amigos, colegas, companheiros-professores
que um dia me tiveram como aluna. Amados do coração. Diz a Palavra de Deus em Eclesiastes
11:1: “lança o teu pão sobre as águas porque depois de alguns o acharás”. Aos novos
colegas que começam a vida no magistério (inclusive a minha filha), a mensagem
do Apóstolo Paulo, quando nos diz que devemos “gastar-nos e deixar-nos gastar”
e que deve haver dedicação ao ensino”.
Vai-me alta esta honorabilidade. Agradeço a
minha eterna mestra e amiga Lígia Pina pelas palavras a mim dirigidas nesta
hora, visto que quando estive sob sua cátedra, no então Colégio Nossa Senhor de
Lourdes, não imaginávamos viver tal
momento. Ao querido Presidente deste Sindicato, Professor
Manuel Muniz, e as queridas amigas Professoras Yvone Mendonça, Marlene Montalvão
e demais componentes da Diretoria, o meu agradecimento pelo tanto que sabem
dividir carinho e amor aos professores que aqui frequentam.
A vida é cheia de ritos. E
este é mais um rito porque passo
O título é significativo
e credito à generosidade destes companheiros. Diz um provérbio francês: “Celui
qui a planté um arbre, n’as pas vecu inutile”. E por falar em árvore
permitam-me relatar uma parábola que se encontra no Livro Sagrado, Juízes Cap
9-A parábola de Jotão.
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Minha oração nesta hora e
que se disponham figueiras, videiras e oliveiras, para que quando procuradas
sirvam de sombra às pequenas árvores, evitando que as mesmas procuram abrigo
sob os espinheiros que nada têm a oferecer.
Que a aridez dos
desertos, a falta de amor, de reconhecimento dos bons valores sejam combatidos
pelo professor no melhor lugar: em sua sala de aula.
Obrigada.
Discurso pronunciado
quando do recebimento do título “Educador do Ano” – Sindicato dos Professores
da Rede Particular do Ensino – em comemoração ao Dia do Professor em
17.10.1998.

