segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Os filhos de Raquel...

  Foi num dia do século I d.C. em Belém de Judá, Herodes decretou o massacre das crianças até dois anos idade, com o objetivo de matar Jesus. Ecoava então, aos ouvidos das famílias belamitas a voz do profeta Jeremias; em Ramá se ouvia uma voz, choro e grandes lamentos; É Raquel a chorar a perda dos seus filhos; não quer ouvir consolação porque eles já não existem.
Século XXI, 7 de abril de 2011... Rio Janeiro.
TRAGÉDIA EM REALENGO
Massacre de crianças na Escola Tasso da Silveira. Doze crianças assassinadas e onze feridas. O assassino, esquizofrênicos, frio, calculista, planejou o crime durante muito tempo: meses, anos, quem sabe quanto tempo a sua mente insana premeditou o bárbaro crime! E saber que não foi a primeira vez. Já havia acontecido numa escola em São Paulo, e noutra no interior da Bahia. E nenhuma providência foi tomada pelas autoridades. Alunos, professores, auxiliares, continuam a mercê de loucos e bandidos. E vai continuar porque após tamanha desgraça continuam sofismando: as escolas devem ou não permanecer abertas às comunidades?
            - Deve-se ou não usar sistemas de segurança?
            - Professores devem ou não usar armas de fogo como meio de proteção?
- É preciso desarmar a população? Deve haver outro plebiscito ou cabe ao Congresso e ao presidente decidir?
Cada um emite uma opinião e de concreto nada é feito. Dizem uns que tem de se deixar “a poeira baixar”. Nada deve ser realizado sob efeito da comoção geral. Tudo isto porque não foram seus filhos e filhas inocentes que perderam a vida !
E eu ouso perguntar: quem vai desarmar os bandidos que possuem armas sofisticadas até para derrubar um helicóptero da própria polícia?
Quem vai modificar o Código Penal que protege os bandidos com casuísmos e brechas como: cumprir somente um terço da pena em regime fechado, indultos de Natal, de Páscoa, e tantas outras benesses? Saem e não retornam ou retornam após cometer mais atrocidades. E como a lei protege os criminosos surge a justiça pessoal - A vingança.
A Sociedade não tem paz, continuamos a mercê dos loucos e bandidos das mais variadas formas de delinquências. E vai continuar porque as autoridades prosseguem sofismando. Enquanto isto, mães e pais angustiados, desesperados, lançam aos céus perguntas lancinantes:
- Meu Deus porque tamanha desgraça? O que fizemos para os nossos filhos nos serem tão cruelmente arrebatados?
Senhor, ajuda-nos a compreender o incompreensível. Por que tragédia tamanha despedaça os nossos corações? Sendo Vós, Pai piedoso e compassivo, não impedistes que um louco destruísse nossas vidas? Nossas crianças eram a nossa esperança, a nossa alegria. Porque serem massacradas, elas que sonhavam com um lindo futuro.
Pais e mães, na sua imensa dor, vocês deveriam indagar: até quando senhores governantes nossas crianças serão impunemente maltratadas, jogadas na rua, aprendizes de bandidos? Até quando as nossas escolas estarão sujeitas a ação de malfeitores: onde encontrar segurança para elas?
Relembro Maria ao pé da cruz: “Vede se haverá no mundo dor maior que a minha dor!”
Não, não há dor maior do que ver morrer um filho. E não há no mundo idioma que contenha palavras capazes de consolar pais e mães que perdem um filho, especialmente numa tragédia como esta.
Não, elas não querem consolo. É Raquel chorando os filhos. Elas não querem consolo porque eles já não existem.
                                                       
 Maria Lígia Madureira Pina