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sábado, 15 de agosto de 2026

CAJUEIRO AMIGO

 

De Ailezz

 

Mimo da confreira Ailezz oferecido às demais,
 durante a  reunião dia 27 de julho de 2016,
 na residência da confreira Jane Nascimento 


            Em um dia difícil para Joana, há falta de proteína para completar a alimentação dos filhos.

A criatividade amiga, que lhe acompanha, a abraçou lembrando do cajueiro que morava ao lado. Chamou os filhos para pedir ao belo cajueiro os seus frutos.

O cajueiro salpicado de flores e frutos, deixou-se colher por crianças que vibravam com gritos alegres.

- Vejam como está carregado, hoje vamos ter muito suco, e quem sabe, doce, feito por nossa mãe! Gritava a voz entusiasmada de um dos filhos de Joana.

O cajueiro, mesmo calado, era uma testemunha de muitas vidas, vistas do alto. E como bom cajueiro, ficou feliz de poder ajudar aquela família.

E, ao avistar do alto a mãe aflita, sem alternativa para complementar o almoço dos filhos, pensou: Se tivesse voz para consolá-la, gritaria bem alto: -Mãe, meus frutos vão ajuda-la! E se pudesse esclarecer melhor, diria, que o meu fruto é a castanha, essa gostosura energética, também serve para muitas utilidades na culinária.

Joana, ao ouvir gritos alegres lhe chamando foi ao encontro, deparando-se com os filhos fazendo das suas camisas, sacolas carregadas de cajus.

Na hora, preocupada por terem poucas roupas, e sabia que aquelas ficariam com nódoas, só sumindo após passar a safra do cajueiro, que era o que todos juravam do estrago que fazia o néctar delicioso dos cajus. Aí as nódoas ficariam insignificantes, lembrando o benefício da vitamina “C” para os filhos.

Depois de lavar uma boa quantidade dos suculentos cajus, e sobrado tempo antes do almoço, fez novo experimento, retirou as peles dos cajus sem pressa, depois de espreme-los para um gostoso suco, que resultou em algo parecido com a carne de um siri catado. A criatividade a cutucou: - e se cortar em pedaços pequenos, como a carne do siri, adicionar temperos dos crustáceos, mais leite de coco, fica um perfeito similar do siri.

Na hora do almoço, a mesa ficou tão bonita, que se pudesse falar, diria orgulhosa: Eu estou a apresentar uma gostosa alquimia dos deuses frutíferos. No seu centro, uma farta jarra com suco de caju, ladeado com o arroz, feijão e uma travessa com um ensopado borbulhante, completava a beleza. No degustar, ouvia-se: -Oh! que coisa boa! A mãe, não se conteve e revelou o segredo da gostosa comida

No dia seguinte, escondeu os ovos das ajudantes galinhas, que criavam, pensando em uma diferente alquimia. As ajudantes eram tão prestativas no botar ovos, que a meninada dava-lhes nomes: Azulada, por botar ovo azul, Ximbica, nome inventado sem saberem o significado, e nomes foram surgindo para todas que chegavam ao galinheiro. Galo só existia um, o sheik cantor, o namorado de todas.

Os filhos sempre compreensíveis com o que tinham, não perguntaram pelos ovos na hora do desjejum, as batatas doces plantadas por eles, batidas com leite e junto do carinho da mãe ao servir, satisfaziam.

A mãe no outro dia, não fez diferente, só lembrou de deixar mais apurado o ensopado, e ao misturar um pouco dos ovos batidos, acrescentou um pouco de farinha de trigo, salpicou coentro e cebolinha para dar mais aroma, depois cobriu com o restante dos ovos, levando ao forno para finalizar a iguaria.

Na mesa, a travessa além da aparência bonita e apetitosa, era uma autentica fritada de siri. A mãe contente, revelou aos filhos a façanha da amiga criatividade.

Ao passar dos anos, a mãe Joana vendo um programa na televisão, sobre alternativa alimentar, falando da fritada de caju, agradeceu ao cajueiro e a sábia criatividade, pela especial ajuda em hora tão difícil, e a certeza de acreditar ser a pioneira dessa feliz gostosura.