De Ailezz
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| Mimo da confreira Ailezz oferecido às demais, durante a reunião dia 27 de julho de 2016, na residência da confreira Jane Nascimento |
A criatividade
amiga, que lhe acompanha, a abraçou lembrando do cajueiro que morava ao lado. Chamou
os filhos para pedir ao belo cajueiro os seus frutos.
O cajueiro
salpicado de flores e frutos, deixou-se colher por crianças que vibravam com
gritos alegres.
- Vejam
como está carregado, hoje vamos ter muito suco, e quem sabe, doce, feito por
nossa mãe! Gritava a voz entusiasmada de um dos filhos de Joana.
O cajueiro,
mesmo calado, era uma testemunha de muitas vidas, vistas do alto. E como bom
cajueiro, ficou feliz de poder ajudar aquela família.
E, ao
avistar do alto a mãe aflita, sem alternativa para complementar o almoço dos
filhos, pensou: Se tivesse voz para consolá-la, gritaria bem alto: -Mãe, meus frutos
vão ajuda-la! E se pudesse esclarecer melhor, diria, que o meu fruto é a
castanha, essa gostosura energética, também serve para muitas utilidades na culinária.
Joana, ao
ouvir gritos alegres lhe chamando foi ao encontro, deparando-se com os filhos
fazendo das suas camisas, sacolas carregadas de cajus.
Na hora,
preocupada por terem poucas roupas, e sabia que aquelas ficariam com nódoas, só
sumindo após passar a safra do cajueiro, que era o que todos juravam do estrago
que fazia o néctar delicioso dos cajus. Aí as nódoas ficariam insignificantes,
lembrando o benefício da vitamina “C” para os filhos.
Depois de
lavar uma boa quantidade dos suculentos cajus, e sobrado tempo antes do almoço,
fez novo experimento, retirou as peles dos cajus sem pressa, depois de espreme-los
para um gostoso suco, que resultou em algo parecido com a carne de um siri
catado. A criatividade a cutucou: - e se cortar em pedaços pequenos, como a
carne do siri, adicionar temperos dos crustáceos, mais leite de coco, fica um
perfeito similar do siri.
Na hora do
almoço, a mesa ficou tão bonita, que se pudesse falar, diria orgulhosa: Eu
estou a apresentar uma gostosa alquimia dos deuses frutíferos. No seu centro,
uma farta jarra com suco de caju, ladeado com o arroz, feijão e uma travessa
com um ensopado borbulhante, completava a beleza. No degustar, ouvia-se: -Oh!
que coisa boa! A mãe, não se conteve e revelou o segredo da gostosa comida
No dia seguinte,
escondeu os ovos das ajudantes galinhas, que criavam, pensando em uma diferente
alquimia. As ajudantes eram tão prestativas no botar ovos, que a meninada
dava-lhes nomes: Azulada, por botar ovo azul, Ximbica, nome inventado sem
saberem o significado, e nomes foram surgindo para todas que chegavam ao galinheiro.
Galo só existia um, o sheik cantor, o namorado de todas.
Os filhos
sempre compreensíveis com o que tinham, não perguntaram pelos ovos na hora do
desjejum, as batatas doces plantadas por eles, batidas com leite e junto do
carinho da mãe ao servir, satisfaziam.
A mãe no
outro dia, não fez diferente, só lembrou de deixar mais apurado o ensopado, e
ao misturar um pouco dos ovos batidos, acrescentou um pouco de farinha de
trigo, salpicou coentro e cebolinha para dar mais aroma, depois cobriu com o
restante dos ovos, levando ao forno para finalizar a iguaria.
Na mesa, a
travessa além da aparência bonita e apetitosa, era uma autentica fritada de
siri. A mãe contente, revelou aos filhos a façanha da amiga criatividade.
Ao passar dos
anos, a mãe Joana vendo um programa na televisão, sobre alternativa alimentar,
falando da fritada de caju, agradeceu ao cajueiro e a sábia criatividade, pela
especial ajuda em hora tão difícil, e a certeza de acreditar ser a pioneira
dessa feliz gostosura.
