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Pintura de Eva Gonzalez |
Josefina Cardoso Braz
Caminhando, tropeçando,
olhar às vezes diluído no nada
busco essa esperança que sustenta a vida
e dá força para ir mais adiante
Que tenho feito eu na multidão
passante, alienada, convicta
de ser este o caminho
que a vida franqueia e comanda?
Em que era, em que espaço me colocaram
em relação ao infinito onde devo me procurar?
As coisas que mais amo se tornam aladas
e fico a contemplá-las de longe
Só, absolutamente só, no desejo puro
de fundir-me nelas e espalhar por toda parte
os anseios, os ecos vindos de qualquer
ponto do universo, dissipando as angústias existenciais.
Os milênios se digladiam,
os séculos se chocam
mas os segundos da minha vida
continuam apáticos, inertes,
aguardando a seiva
que permitirá o “toque de ser"