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quarta-feira, 8 de abril de 2026

A FEIJOADA

 

Foto web
 De Ailezz  

 O sol, mostrando-se convidativo em um domingo!

 Ouviam-se gritos dos participantes: — Que bom, vamos ter um belo piquenique!!!

 A vida também se alegrou!

— Poderei mostrar como é fácil ser feliz com simplicidade.

 Tudo arrumado, o pai, preocupado, à procura dos que faltavam, por serem muitos.

 A feijoada, feita de véspera, estava deliciosa, bebidas e frutas em abundância, sem faltar uma melancia, que de tão grande serviu de banco para a menor das crianças.

O caldeirão da feijoada balançava tanto que a lata da farinha, preocupada, se encostou, o equilibrando.

 Com o balançar da Kombi, todos repetiam:

— Cuidado, ela pode derramar!

 Um dos meninos completou, gritando: — Posso ajudar me sentando na tampa para não...

— Nãooooooooooo!

 Gritou a mãe, sem dar tempo de ele completar a oferta.

 — Ela vai queimar seu bumbum!

 — E de dor, poderá urinar e salgar a feijoada...

 Falou o outro irmão, mostrando o seu lado humorista, levando todos a um gostoso riso, dentro da Kombi, que parecia rir no seu balançar.

 O carro, que transportava tal algazarra, era uma Kombi velha dos anos 40, mais parecia uma lata de sardinha, onde sempre cabe mais um. Completando o alvoroço, o amigo convidado, que era bem humorado, declamou:

 — O piquenique com essa euforia... O mar se alegrará e benzerá com as suas águas os farofeiros felizes!

 E a sorte, querendo ajudar os farofeiros, os guiou para uma casa fechada de veraneio, no alto de uma duna. Sem a menor cerimônia, sem pedirem licença, se aboletaram como donos nos terraços amplos, que serpenteavam a casa, com vista para o mar, recebendo sopros dos ventos, a distribuir para os não convidados que, sem se sentirem culpados, agradeciam:

 — Obrigado, ventinho bom!

 Antes e depois da feijoada, tomaram banho, jogaram bola, conversaram sobre tolices, o momento de tanta alegria, dispensava preocupações.

 As crianças fizeram castelos de areia, na vontade de conhecerem um dos contos de fadas, ou um que lhes pertencesse, que pudessem entrar como reis.

 A mãe, grávida, entrou no mar de vestido, seu maiô não mais lhe cabia. Mas na sua alegria, nada a constrangia, o amigo convidado fez um comentário brincalhão:


— Amiga, estás parecida com uma lavadeira, banhando-se no rio São Francisco. O que tantas vezes nos banhou na nossa terra natal.

 Ela, ao lembrar, se renovou como uma criança, a sua alegria foi tanta, que ao rir, caiu com a força das ondas, ele, aflito, foi em sua direção, a ajudando e falando:

  — Você não existe, sua simplicidade de viver é pura sabedoria, saber viver com o pouco é o testemunho do que aprendemos quando pequenos.


Ele, em poucas palavras, recordou a trajetória de ambos, no crescerem juntos, na simplicidade sadia de brincar nas ruas sem nenhum preconceito ou medo.

 Ele, de um bom humor incomparável, sempre entre as meninas, deveria ser a sua verdade sem fantasia.  Fazer rir era sua maior virtude, quando estava triste, fazia cara de palhaço, ao chorar ou rir, sua feição não mudava, por isso, não era levado à sério. Podia ser chamado de um bom humorista, por abastecer-se de alegria antes de secar as lágrimas.

 Ela, com saudade, lhe envia uma prece hoje... “meu amigo, no alto, onde você estiver, sei que estás alegrando os tristes”.

 Voltando ao piquenique, à noite, todos viraram majestades. O trono foi disputado, com gemidos e chamados por Deus.

 Quando tudo acalmou, lembraram com risos, a maior atriz da história, a feijoada, que sem culpa, espumava no colo do caldeirão embalada no balanço da Kombi.

 A noite se tornou a incentivadora para uma serenata com sons de interjeições: ui! ai! ui! ai! ui!

 Se não tivesse saído em disparada, fazendo tantas dores de barriga, por certo, ficaria orgulhosa de ter oferecido tantas coroas, a majestades no trono. E sugeriria, para escreverem no papel higiênico, as suas odisseias doloridas em versos, dependendo do alivio.

 Ou poetizarem, agradecendo o dia inesquecível, que a vida mostrou que o simples é ser feliz com sabedoria!

 

AILEZZ